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Monitoramento de mais de uma década identifica aumento populacional anômalo de piranhas no Rio Aripuanã; especialista aponta possível ação humana e riscos ao ecossistema.
Imagens gravadas no Balneário Oásis, no Rio Aripuanã, em Mato Grosso, têm circulado nas redes sociais causando preocupação. Os vídeos mostram banhistas com cortes nos pés e pernas, vítimas de ataques de piranhas. As ocorrências, que se tornaram mais frequentes recentemente, corroboram um alerta emitido por especialistas com base em mais de uma década de monitoramento ambiental na região: há um aumento populacional atípico e preocupante desses peixes predadores naquele trecho do rio.
De acordo com Thiago Paiva, biólogo, zoólogo e perito ambiental que monitora a área há mais de dez anos, a presença de piranhas no Rio Aripuanã, especialmente nas águas rasas do balneário, cresceu significativamente nos últimos três anos. “Os ataques a pessoas começaram recentemente e ainda não há números oficiais sobre ocorrências”, explica o especialista.
Os episódios envolvem espécies de pequeno porte, como a Pygocentrus nattereri (piranha-vermelha ou piranha-doce) e a Serrasalmus rhombeus (piranha-preta), que frequentam justamente as áreas mais rasas, preferidas pelos banhistas. Durante coletas para pesquisa, Paiva observou de forma recorrente o comportamento agressivo desses animais.
Aumento Atípico e Possível Causa Humana
O biólogo destaca que o fenômeno é específico para a região de Aripuanã, sobretudo em áreas acima das cachoeiras do rio, onde a presença dessas piranhas era considerada incomum. A situação levantou uma forte suspeita. “A situação sugere uma possível introdução antrópica, associada à ação humana, que contribuiu para a dispersão das piranhas na região”, alerta Paiva.
Essa introdução, possivelmente envolvendo soltura inadequada ou transporte involuntário, teria desencadeado um desequilíbrio. Além do risco direto à população, que sofre com ferimentos dolorosos, o especialista alerta para um impacto silencioso e grave: a predação intensificada sobre peixes nativos menores pode reduzir suas populações, provocar desequilíbrios na cadeia alimentar e comprometer a biodiversidade do Rio Aripuanã, principalmente em áreas de reprodução.
Período Reprodutivo e Alerta Geral
Apesar do caso atípico de crescimento populacional em Aripuanã, Thiago Paiva ressalta que ataques de piranhas são relativamente comuns nesta época do ano em vários rios de Mato Grosso. O período reprodutivo da espécie, somado às altas temperaturas da água, intensifica o instinto de defesa territorial dos peixes, tornando-os mais agressivos. “Este caso é específico para Aripuanã. Mas ataque de piranhas é comum nesta época em todos os rios”, lembra o biólogo.
Medidas de Precaução
Diante do cenário identificado, um alerta de segurança foi emitido para os frequentadores do Balneário Oásis. As recomendações, baseadas em dados coletados entre 2013 e 2025, são claras e buscam reduzir a atração por cardumes:
É expressamente proibido descartar alimentos ou restos de comida na água.
É vetada a limpeza de peixes nas imediações do balneário.
Ambas as práticas atraem piranhas e outros peixes para perto dos banhistas, aumentando exponencialmente o risco de acidentes. As autoridades locais e os donos de estabelecimentos no balneário foram notificados para reforçar a fiscalização e a orientação aos visitantes.
A situação em Aripuanã serve como um caso de estudo sobre os impactos que interferências humanas inadequadas podem causar em ecossistemas fluviais, transformando áreas de lazer em locais de risco e ameaçando a fauna nativa.
Fonte: Rádio Navegantes FM/Top News